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O Pacote

Summary:

Fun Ghoul é avisado sobre um pacote misterioso por Tommy Chow Mein.

Chapter 1: Um Pacote

Chapter Text

Quando Fun Ghoul foi acordado pelo rádio às três e meia da tarde, ele definitivamente não esperava terminar o dia assim. Quando Tommy berrou do outro lado da estática que tinha um pacote para Ghoul e que ele tinha que retirar urgentemente ele realmente pensou que era só baterias e que Tommy estava sendo dramático, mas não, não eram baterias e não, Tommy não estava sendo dramático. 

No instante que Ghoul viu do que se tratava o tal pacote, a única vontade dele era de correr e nunca mais voltar, mas Tommy ainda era o melhor fornecedor e Ghoul não podia correr o risco de perder seus preciosos carregamentos por birra, e também ele tinha um pressentimento que o pacote chegaria em seu destino, Ghoul queira ou não. 

O pacote tinha um metro de altura, cabelos encaracolados e grandes olhos assustados e atentos. Quando Ghoul a viu pela primeira vez, ela estava pendurada em Tommy como muitos anos atrás o próprio Ghoul esteve, e seu nome era Maya. Tommy o contou que a pequena garota foi resgatada de um laboratório BL/ind ainda bebê e que fora criada até então no Lobby, mas o aumento das Patrulhas no Lobby tornou a permanência dela lá impossível. E é aí que veio a informação mais chocante de toda essa conversa: Tommy não queria que ela fosse entregue à Gertie ou até mesmo ao Doutor, ele queria — não — exigia, que a garota ficasse na base do Fabulosos por tempo indeterminado. Ghoul tentou argumentar que a base era muito pequena, que Poison jamais aceitaria, que Kobra Kid surtaria no primeiro choro da criança, mas não tinha jeito: Tommy havia tomado a decisão por eles.

Agora, Ghoul estava dirigindo a amada Trans AM de Poison, evitando o rádio como quem evita a praga e pensando no que fazer. Ah, também tinha uma criança de quatro anos no banco do carona o encarando fixamente e por isso ele — tentava — evitar correr. 

Poison já devia estar tendo um ataque de pelancas em casa pelo pequeno “sequestro” da Trans AM, elu provavelmente estava esperando Ghoul na porta com a arma ligada no modo de choque, preparade para atirar no pé de Ghoul como se não fosse nada demais. Talvez a criança pudesse despertar a piedade do coração de Poison? Kobra já foi desse tamanho, certo? Talvez Poison conseguisse entender a situação e tudo desse certo. 

Quanto mais o tempo passava, mais tenso Ghoul ficava com a situação, criando os cenários mais terríveis para a sua volta para casa, afinal, o que esperar do inesperado? Ele nunca foi bom com novas situações… puta merda, talvez ele devesse simplesmente parar de pensar nisso, talvez… talvez ele pudesse simplesmente conversar com ela, certo?

— Então… — A garota continuava o encarando com seus grandes olhos — Você sabe pra onde a gente está indo? Tommy te explicou algo? — Ela acenou a cabeça negativamente — É claro que ele não explicou… certo, nós… nós estamos indo pra minha casa, ok? Na verdade ela não é exatamente uma casa ela é… uma lanchonete antiga, a gente chama ela de DIEner por causa da placa quebrada, mas a gente adaptou o máximo possível pra parecer com uma casa de verdade. — Os olhos da garota pareciam cada vez maiores enquanto ele falava, talvez ela estivesse tentando compreender as palavras dele melhor, afinal Ghoul nunca foi conhecido pela boa dicção — E… não sou só eu na casa, na verdade nós somos quatro, nos chamam pelas Zonas de Os Fabulosos — Ghoul não conseguia conter o sorriso enquanto falava sobre sua equipe — Nosso líder é Party Poison, elu é ume excelente estrategista e também gosta de pintar murais bem grandes pelas Zonas, elu tem um irmão mais novo chamado Kobra Kid, O Kobra Kid, ele tem uma moto vermelha e corre com ela na Pista de Demolição lá na Zona Quatro, ele também é o nosso mestre de tecnologia e karatê, que é um tipo de luta de antes da guerra, e falando em lutar, nós também temos Jet Star, nossa estrela do tiro que nunca erra a mira, mesmo tendo a visão de só um olho! Ela também é curandeira e sabe expurgar espíritos ruins, que na verdade são só espíritos bons que se perderam do portão pro outro lado e ficaram confusos, então não precisa ter medo deles, certo? — Agora quem sorria era a garota, e pela primeira vez no dia Ghoul sentiu que talvez as coisas pudessem funcionar com aquela criatura mais que fofa.

Ghoul e a garota devem ter passado mais meia hora em um silêncio estranhamente confortável, antes que Ghoul ouvisse a voz dela pela primeira vez desde o começo dessa aventura:

— E você? — Uma voz pequena e doce perguntava.

— Eu? O que tem eu?  — Ghoul ousou dar uma risadinha.

— Você falou dos seus amigos, mas qual o seu nome? — Ok, ela tinha um bom ponto, Ghoul não havia se apresentado!

— Eu sou o Fun Ghoul, 19 anos de puro punk-rock — Ghoul foi obrigado a rir de novo, enquanto estendia a mão para um aperto de mãos com a pequena menina — Eu nasci na extinta Zona Sete em uma vila neutra que foi destruída nos Incêndios de 2012, mas tudo bem por que eu fui adotado pela minha mãe, e depois que ela foi pro outro lado, um cara chamado Dr. Death Defying me criou junto de outras muitas crianças. E eu sou um bombista! Eu faço bombas e explosivos e vendo pelas Zonas, e modéstia parte, eu sou o melhor nisso. Eu também gosto de ajudar o Doutor a fazer dispositivos para ajudar Killjoys com deficiência, porque veja bem, o Doutor não anda mais desde as guerras, então ele precisa de uma cadeira de rodas motorizada pra ir de um lado pro outro, e o meu irmão Cherri quebrou as mãos uma vez e elas não foram tratadas direito, então os ossos se regeneram de maneira meio esquisita, então ele não consegue segurar a maioria da coisas sem ajuda,  e eu mesmo… você vê essa coisa azul atrás do meu ouvido? A gente chama isso de aparelho auditivo, por que eu sou surdo, então eu preciso disso pra escutar e eles precisam de manutenção constante por serem tão pequenos e frágeis. Mas chega de mim, e a senhorita? Qual a sua história? — Os olhos da garota brilharam com a provocação para finalmente falar sobre si mesma.

— O meu nome é Maya! Mas isso o senhor Tommy já te contou… eu morava com Roxo e Amarelo no Lobby até… semana passada! Eles são robôs, sabia? Roxo perdeu uma perna um tempo atrás, mas tudo bem eu ainda amava ele como se ele tivesse as duas pernas! Eles me resgataram de um lugar ruim… mas eu não sei exatamente o que eles queriam dizer com isso — Ghoul ficou, honestamente, aliviado em saber que ela não tinha lembranças dos laboratórios — Nós nos divertíamos tanto no Lobby! Amarelo fazia brinquedos pra mim com qualquer coisa e Roxo penteava o meu cabelo, e a gente gostava de cantar juntos e dançar também! Mas aí… — A garota desmontou de repente — Aí Amarelo e Roxo disseram que os homens maus iam me achar lá e que não era mais seguro pra mim, então… então eles me mandaram pra ficar com aquele rabugento do Tommy até você chegar… E agora eu nunca mais vou ver eles e brincar com eles e… — Agora a garota chorava baixo, como quem foi treinada desde cedo para não fazer um escândalo. 

— Calma, calma, vai ficar tudo certo, nós… nós também vamos nos divertir na minha casa, ok? Eu vou fazer brinquedos novos pra você, e Kobra vai te ensinar a lutar, e Poison vai desenhar com você e Jet vai trançar o seu cabelo e vai ser lindo! Você vai ver, nós vamos ser uma família de verdade!

A garota chorou um pouco mais até cair no sono, e foi nesse silêncio que Ghoul viu o DIEner surgir, e com ele Poison, preparade para destruir a paz que se criou na Trans AM.